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Holy War é um jogo cancelado que foi desenvolvido entre 2003 e 2005 pelo grupo Gamelords, que viria futuramente a ser a Seed Studios, sendo produzido com tecnologia própria e financiado pela Linha de Terra Studios e Norhold Investimentos.

Retratava de um modo realista o conflito entre Israel e Palestina, reproduzindo cenários, armas e personagens reais, contando com uma componente multiplayer que permitia ao jogador tomar partido por qualquer uma das fações.

O demo, apesar de concluído em 2005, foi pela primeira vez apresentado no evento Games 2006 contendo apenas o suficiente para chamar a atenção das editoras – quatro mapas (incluindo o muro construído por Israel e a Faixa de Gaza), parte do tutorial, armas e algumas personagens controladas pelo computador a considerar a vertente Single Player.

Filipe Pina, em entrevista por e-mail, esclareceu-nos mais alguns detalhes da produção do jogo:

“A produção contou com o contacto constante com um Palestino e um Israelita que nos ajudaram a tornar tudo o mais realista possível. As armas dos Israelitas, equipamento de combate e tudo o mais foi recriado o mais fiel possível. Já os palestinos usavam as armas dos russos entre outras coisas.”

Foram também introduzidas algumas inovações à época:

“(…) a demo contava já com “normal maps”, sombras em tempo real e um sistema de dia e noite realista. Era também um dos primeiros FPS que permitia jogar em 1ª e 3ª pessoa. Também era possível conduzir veículos.”

À época teve uma boa aceitação junto das editoras, no que concerne aos gráficos e jogabilidade, mas o tema polémico, apesar de lhe ter garantido alguma publicidade gratuita, provocou algum medo na parte dos investidores.

Citando uma entrevista com Bruno Ribeiro, acerca da reunião com a Take Two Interactive:

“Chegou a acontecer estarmos a mostrar o jogo a membros de uma editora bastante conhecida. Inicialmente estavam bastante entusiasmados com o nosso trabalho, mas isso mudou quando notaram que o tema não era genérico. Começaram a ver elementos característicos de Israel e perguntaram, “mas isto tem bombistas suicidas?”. Assim que respondemos afirmativamente disseram logo “Ah isso é mais complicado”.”

Foram pressionados para requalificar o jogo, de modo a que representasse uma situação mais genérica – “tipo uns como soldados americanos a matar uns terroristas” – mas as editoras recusaram-se a apoiar um videojogo que representasse uma situação mais realista, por medo de ferir suscetibilidades.

Consideraram ainda o lançamento digital, e talvez fosse possível o lançamento se o jogo estivesse completamente concluído, mas sem qualquer apoio e tendo de financiar totalmente o projeto, a empresa não teve capacidade financeira para avançar.

Após a produção deste Demo, o projeto ficou parado enquanto a empresa procurou investidores, até que passado algum tempo decidiram dar o projeto por encerrado e partir para o próximo.

Apesar do cancelamento, houve algo positivo a retirar do projeto, tendo ajudado a empresa a ficar mais preparada para projetos futuros e permitindo aos trabalhadores da futura Seed Studios ganhar uma valiosa experiência de trabalho.

Também será importante referir que as ferramentas e tecnologia desenvolvidas pela empresa para a produção deste demo puderam mais tarde ser reaproveitadas noutros projetos, até fora da área dos videojogos.

 

Se quiserem saber mais, sigam estes links para ver dois post-mortems acerca da arte do jogo:

A Arte de Holy War – As Armas

A Arte de Holy War 2 – Os Veículos