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Alien Evolution é um jogo de 1987, desenvolvido por Marco Paulo Carrasco e Rui Tito que se pode dizer que foi o primeiro grande sucesso internacional dos videojogos portugueses.

A história do jogo conta-nos que após um holocausto nuclear, a superfície terrestre ter-se-ia tornado um lugar hostil e incapaz de suportar vida humana, o que levou os sobreviventes a recolher-se para complexos subterrâneos.

Após muitos anos de pesquisa, os humanos conseguiram finalmente desenvolver um androide – o Cyborg G4 para procurar um lugar onde a vida possa germinar novamente.

Porém, uma raça de alienígenas ocupou a terra, e por isso, será agora necessário utilizar este andróide para os exterminar e conseguir devolver o planeta aos sobreviventes.

O problema surge, quando após exterminar os primeiros alienígenas, outra raça mais forte, surge dos seus restos mortais, um processo que continua ao longo de quatro tipos diferentes de alienígenas, cada uns progressivamente mais inteligentes, sendo que após exterminar a quarta raça, voltarão os originais em muito maior número.

A nível gráfico, possui uma perspetiva 3D a 45º pouco comum à época, com uma navegação em scrolling do ecrã sobre o mapa do mundo e é monocromático de modo a melhorar a qualidade gráfica aumentando a rapidez de processamento e evitando o fenómeno do “color clash” (um defeito provocado pelas limitações gráficas do Zx Spectrum, que só permite que sejam utilizadas duas cores em cada segmento de 8×8 píxeis), levando ambos os criadores a considerar este jogo como o melhor dos seus trabalhos na área.

Após um contacto através de carta com algumas editoras, este jogo conseguiu ser distribuído internacionalmente pela Gremlin Graphics, aparecendo nalgumas das maiores revistas britânicas da especialidade – Your Sinclair, Crash, Sinclair User, Computer & Video Games e na espanhola MicroHobby com muito boas críticas, gerando um lucro aos autores de 20 mil libras.

O sucesso foi de tal modo grande, que o jogo foi reeditado em Espanha pela ERBE Software e em 1989 em Inglaterra, junto com a revista Your Sinclair.

No seguimento deste sucesso, ambos os autores foram convidados a ir a Sheffield, no Reino Unido, para conhecer a empresa e todo o processo de produção de jogos, que já contava na altura com mais de 30 pessoas, que não conseguiam acreditar que, nas palavras de Marco Paulo Carrasco, “dois miúdos de 16 anos tivessem desenvolvido individualmente um jogo com um gravador de cassetes para carregar o assembler de código máquina”.

Aí assinaram contrato, sendo recebidos pelo Ian Steward, CEO e fundador da Gremlin num Jaguar (segundo testemunho de Rui Tito) e puderam, aproveitando o lucro, comprar novos computadores, dos melhores à época – dois Atari ST.

Regressando a Portugal, Rui Tito ainda veio a participar no desenvolvimento de outros dois jogos (que tenhamos registo), Kraal e Klimax, ambos lançados em 1990 numa compilação intitulada 4th Dimension pela Hewson Consultants em Inglaterra, tendo prosseguido com a sua carreira posteriormente na área da distribuição de videojogos com a Portidata, tendo também em 1995, participado no desenvolvimento do videojogo Gambys, a analisar num próximo artigo.

Marco Paulo Carrasco, desconhece-se se terá prosseguido com a programação de novos jogos para Spectrum, conhecendo-se apenas a participação no videojogo Gambys enquanto game designer e posteriormente a entrada na Universidade do Algarve como professor, onde permanece até aos dias de hoje.

 

 

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