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Especial: Entrevista à True Dimensions

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Recuperamos esta semana uma entrevista feita para a secção Game Over do Portal Sapo em 2001 aos membros da True Dimensions acerca do jogo que desenvolviam à altura – Blood & Honour, que mais tarde passou a Yamabushi.

O que é nacional é bom!

Blood & Honour é um motivo de orgulho para a nossa redacção e esperamos que seja também para todos os nossos leitores. Depois de algumas décadas em que nada se fez no panorama nacional, um grupo de bons rapazes juntaram-se com um único propósito: desenvolver um excelente jogo, totalmente made in Portugal.

Para o efeito, formaram a True Dimensions Interactive Entertainment e com uma média de idades que ronda os 20 anos, prometem rubricar uma página dourada no universo digital português.

Este projecto não passou despercebido ao GameOver, por isso, fomos ter com a equipa de produção para uma entrevista, de modo a que todos os gamers lusitanos pudessem conhecer os pormenores da obra.

Antes da entrevista deixamos uma palavra de apreço e de incentivo para estes jovens, que, sem qualquer tipo de apoio, teimam em mostrar as capacidades desta nova geração.

Que tipo de jogo é Blood & Honour?
O Blood&Honour é um jogo de acção estratégica, com muita violência à mistura.

Que títulos serviram de inspiração para a sua criação?
Títulos em especial, nenhum. Estamos a tentar dar o nosso próprio estilo ao jogo, mas somos grandes apreciadores de Metal Gear Solid e de Dead or Alive.

Falem-nos um pouco do argumento.
O argumento de B&H está ao bom velho estilo Manga, algum drama, com muita violência à mistura.
Ora bem, resumindo: o jogo passa-se em meados do séc.XIII. Kimiko e Kazuya são duas crianças de uma família nómada Yamabushi. A comunidade Yamabushi sofria, nessa altura, as consequências negativas da má fama dada ao clã, devido a grupos de salteadores Yamabushi andarem a espalhar o pânico nas populações.
Por se pensar que este clã representava uma ameaça à população, grupos de samurais atacaram a família de Kimiko e Kazuya, para porem termo a esta suposta ameaça.
Apenas Kimiko, Kazuya, e mais alguns membros do clã, sobreviveram ao ataque, vendo-se obrigados a refugiarem-se numa aldeia vizinha pertencente a outro clã de ninjas, os Tokagure.
Anos passaram, Kimiko e Kazuya foram adoptados por Togakure Jozu, que acabou por se tornar o seu mestre.
Kimiko e Kazuya acabam por ser contratados (como a maioria dos ninjas) por um senhor feudal de nome Yamada Taro, o qual necessitava dos seus serviços, para atacar e se defender contra outros senhores feudais.

Das várias características de jogo, qual tiveram mais dificuldades na fase de desenvolvimento?
Ao principio, quando era só eu a desenvolver toda a programação, estava a tornar-se algo complicado gerir todo o código, mas entretanto arranjei mais dois excelentes programadores que estão a fazer um grande trabalho, o que me permitiu virar mais para a o desenvolvimento do motor gráfico do jogo.
Mas atenção que ainda estamos a desenvolver o jogo. Ainda temos muita coisa para fazer.

Que tipo de programas estão a utilizar para o seu desenvolvimento?
Usamos o habitual: um compilador de c++ e algumas ferramentas para modelação 3d e criação de texturas.

Quais são as maiores dificuldades em desenvolver um jogo em Portugal?
É, principalmente, a distância a que os membros da equipa de encontram uns dos outros. Se pudéssemos trabalhar todos em conjunto, o desenvolvimento do jogo certamente seria mais rápido.

Todos os membros da vossa equipa são Portugueses?
Sim, eu sou de Lisboa, o Marco Vale de Barcelos, o Vitor Marques é de Valença, o Diogo Teixeira e o Hugo Santos são da Figueira da Foz.

Qual é a vossa média de idades?
20 anos.

Quais são os vossos jogos favoritos?
Metal Gear Solid, Dead Or Alive, Resident Evil e, claro, o NinjaBear.

Numa altura em que as consolas não param de sair, qual pensam ser o futuro dos PC?
Os PC’s serão sempre máquinas de sucesso.

Que tipo de apoios tiveram para a criação de Blood & Honour?
Temos tido algum apoio a nível de publicidade em sites de jogos na net e também de uma das maiores revistas de jogos a nível nacional.

Alguma das distribuidoras portuguesas já mostrou interesse no vosso trabalho?
É provável que sim, mas só vamos começar a procurar editoras quando tivermos a demo do jogo pronta.

E do estado? O Ministério da Ciência e Tecnologia está a apoiar este tipo de iniciativas?
Sinceramente não sei, mas duvido.

Blood & Honour será um jogo para consumo interno ou pensam apresentá-lo no estrangeiro?
Acho que Blood & Honour está a ficar ao nível de muitos dos títulos que se fazem actualmente.
Além do mais, tendo em conta as porcarias de jogos que tem saído ultimamente, acho que temos excelentes hipóteses de ter sucesso no estrangeiro.

O futuro da vossa equipa passa exclusivamente por Blood & Honour, ou já têm um novo projecto em perspectiva?
Até hoje, B&H é o nosso maior projecto em desenvolvimento. Mas o nosso futuro não passa exclusivamente por ele.

 


Esta pequena galeria de imagens é bem demonstrativa do trabalho que os rapazes da True Dimensions têm vindo a realizar. Deliciem-se com esta amostra e fiquem com Blood & Honour na vossa memória.

 

 

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