Volto esta semana aos jogos cancelados com um complexo videojogo desenvolvido totalmente pelo Paulo Ferreira, um professor do ensino secundário que no ano 2000 teve a ideia de tentar por si só criar um First Person Shooter.

Depois de algumas dificuldades, finalmente consegui estabelecer contacto por e-mail e assim, através uma breve conversa, descobri que tudo isto partiu da curiosidade que o autor teve em responder à pergunta – Como se faz um jogo em 3D em C/C++?

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Nas palavras do próprio “o projecto nunca terminou por várias razões: programar jogos nunca foi a minha actividade principal, tinha grandes lacunas na modelação 3D, o computador que tinha na altura era muito limitado e não permitia fazer coisas muito complicadas, ainda assim o jogo tinha um sistema de partículas muito simples, tinha lightmaps, tinha portas, som 3d, transparências, colisões, raycasting e outras coisas que fui aprendendo e programando.”

Para este protótipo utilizou modelos de personagens retirados da internet, neste caso, do Quake, mas garante-nos que tudo o resto foi criação sua.

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À época a história que apresentava contava-nos que o jogador iria controlar Twain, um militar que havia sido contratado pela Shadow, uma agência de segurança bem-sucedida com clientes bastante poderosos, que o escolheu por apresentar algumas qualidades muito úteis às suas missões.

Este agente secreto iria partir para uma luta contra uma corporação maléfica, uma história de um “típico filme de acção dos anos 80/90”. A nossa primeira missão iria decorrer em Nova Yorque, um trabalho simples que serviria como tutorial, apresentando o modo de funcionamento do jogo. Aqui teríamos de procurar pelo edifício onde se escondiam um grupo de ciberterroristas que haviam invadido um servidor militar. Armados e bem treinados, esta nossa primeira missão consistia em eliminá-los.

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A um nível mais técnico estava a ser usado o Visual C++ 6.0, Direct X 7.0 SDK, Qoole para construir os níveis, estando tudo a correr no Windows XP. Quanto a hardware, para o desenvolvimento era usado um Pentium IV 1700 Mhz com 512Mb e uma gráfica GeForce 2 MX 400 com 64Mb.

Com o avançar do tempo e ao ver dificuldade em encontrar outros membros para juntar à sua equipa, aliado ao facto de ter assumido mais responsabilidades na escola onde trabalhava e ter assistido a mudanças na vida familiar foi gradualmente perdendo o interesse até abandonar o projecto.

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Nos dias de hoje, para além das aulas e do clube de programação de jogos que dinamiza na sua escola, faz jogos com o motor de jogo Unity3D que publica na Google Play Store/Windows Store e em sites como o Itch.io, mas sempre como uma atividade de aprendizagem e pretendendo ser uma inspiração para os seus alunos.

Fiquem com mais algumas imagens deste projecto, gentilmente cedidas pelo autor a quem, desde já, agradeço pelo tempo que me dispensou: