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Corrida de Caracóis

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Recentemente a equipa do Planeta Sinclair conseguiu recuperar um videojogo que se julgou perdido por muitos anos, mas que graças à ajuda de várias pessoas foi finalmente recuperado. Este é uma criação para ZX Spectrum do Pedro Osório, maestro já falecido, conhecido pelo seu trabalho com nomes como Sérgio Godinho, Fernando Tordo, Carlos do Carmo, Carlos Paredes, Rui Veloso, Carlos Mendes, Herman José, Lúcia Moniz ou Xutos e Pontapés, entre muitos outros.

Temos então de agradecer a várias pessoas: ao Ricardo Mendes que entrou em contacto com o Blog e nos emprestou a sua cópia do jogo, ao filho do Pedro Osório que nos emprestou o single que vinha na altura com este, ao André Leão que tratou da digitalização de ambos e do João Diogo Ramos (Museu LoadZX) que nos cedeu o suplemento MicroSete de onde retirei as informações que hoje partilho convosco.

Sendo assim e como o artigo original (da autoria de Fernando Antunes) já é bastante explícito e completo apenas me limito a transcrevê-lo:

“Pedro Osório, 47 anos, natural do Porto, maestro e compositor, quase formado em Engenharia. O seu melhor LP — costuma dizer é o filho, Luís Pedro (LP), este com 14 anos e que mexe no computador como muitos da sua idade. O melhor, para ele, é que o pai, também sensibilizado pela magia dos bits, resolveu tirar umas horas às músicas e lançar-se na pachorrenta mas curiosa tarefa de programar em Basic —sem deixar o sortilégio da ilustração musical…

Exactamente porque de Engenharia sabe muito mais que o comum dos mortais que nunca passou por uma escola de Engenharia, Pedro Osório, que, além do mais, é dotado de uma sensibilidade muito especial para a criação de espaços lúdicos, escreveu mesmo um programa sobre caracóis programa que dedicou ao seu LP com a esperança de que, posto à venda, nesta altura do ano, venha também a gerar outro LP no gosto e na adesão da pequenada.

A cassete está acompanhada de um disco o qual foi composto por um «computador amigo». intérprete como nos Festivais da Canção: o primeiro computador-fêmea da história da informática.

Distribuído pela Triudus e SEM, a «Corrida de Caracóis» já está à venda (disco + cassete) ao preço de 500$00. O programa tem duas faces A e B — Passo de Caracol e Caracol Walk. (J. Vanarte), respectivamente. Descreve-se ali:

«Seja qual for o ponto de vista, o caracol constitui um caso à parte no Reino Animal. Do ponto de vista da locomoção é o único bicho que não precisa de andar pé ante pé para andar devagar. Do ponto de vista matemático é o único bicho que dispõe de cornos com geometria variável, razão pela qual os seus cornos se chamam pauzinhos. Do ponto de vista gastronómico, e talvez por causa dos citados pauzinhos, o caracol é o (único bicho que se come com palitos. Do ponto de vista sexual é hermafrodita — palavra cara e complicada para esconder os seus pecados inconfessáveis. Finalmente do ponto de vista intelectual, é o único ser de que se pode dizer com toda a certeza – ‘e um pé!’»”

Vamos agora à entrevista:

“Pedro Osório descobriu, um dia, que o seu melhor LP passava horas a fio, diante do computador, a matar alienígenas em quantidades crescentes. A um programa
tão mórbido havia que contrapor outro (ou outros) mais interessantes, menos mortíferos, sobretudo, propiciadores de emoções menos desencantadas. Mas a história desta «Corrida de Caracóis» será mesmo muito bem contada se for o próprio a descrevê-la.

Ei-la na boca do maestro-programador:

A invasão dos «joguinhos» de computador chegou um dia a minha casa e começou a apanhar o meu filho, que passava horas a matar alienígenas em quantidades crescentes. O que mais me preocupava nisso era o mundo isolado para que ele era remetido; sozinho, diante do ecrã, reduzia, progressivamente, o convívio com os amigos.

Comecei à procura de jogos que admitissem diversos jogadores, não um de cada vez, a ver quem matava mais, mas todos em simultâneo, interferindo cada um nas jogadas dos outros. Não conseguindo encontrar deste género, resolvi começar eu a fazê-los.

Fiz diversos, rudimentares, sem conseguir grande sucesso junto do meu filho e dos amigos dele. Finalmente, um dia escrevi um jogo no computador, uma série de corridas de caracóis, que despertou o interesse dos putos. Fui-o desenvolvendo, atraído, entre outros factores, pelo facto de ser um Jogo de movimentos lentos que não exercia uma magnetização visual, permitindo o bom convívio entre os jogadores, criando uma emoção não nevrótica.

Ao longo de cerca de um ano, fui-o melhorando de acordo com as indicações que eles me iam dando e cheguei —finalmente — à versão actual que me parece trazer alguma coisa de novo sob o aspecto lúcido. O jogo é quase todo em Basic só com algumas rotinas em Código Máquina. Num jogo deste tipo a relativa lentidão do Basic não traz qualquer problema, facilitando muito as modificações que lhe fui fazendo continuamente —e permitindo-me até fazer, por vezes, alterações só para uma noite especial de brincadeira.”

 

Para mais informações, vejam aqui o post original do Planeta Sinclair onde se relata a história da descoberta deste jogo ou aqui o número da MicroSete de onde retirei este artigo/entrevista.

Fiquem agora com o lado A do single que acompanha o jogo:

 

 

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